CREUZA BATISTA ROSA E SILVA

Nesta sessão, periodicamente, partilharemos histórias e curiosidades acerca de pessoas, grupos e instituições envolvidos na Rede. A primeira é Creuza Batista Rosa e Silva.

Para nós, Creuzinha.

Aos 75 anos, é dona de um sorriso largo e abraço caloroso. Nasceu e cresceu em Salvador, no bairro do Alto do Peru, subdistrito da Fazenda Grande do Retiro. Lembra com felicidade da sua festa de 15 anos, lá na década de 60. “Era chamada de ‘jazi’. É que, naquele tempo, tudo era diferente né, minha filha? Naquela época não tinha valsa. Era bateria, tambor, pandeiro, violão, sanfona, tudo junto. Ela fazia aquele almoço, era caruru, todo mundo comia e dançava o dia todo. Era uma festança. Não sei nem se você alcançou essa época, minha filha”, diz num tom de piada e cai na gargalhada.

Na juventude, foi professora primária, mas descobriu no artesanato a sua grande paixão. Pesos de porta, cobre jarras, cobre copos, centro de crochê e bainha aberta fazem parte de sua rotina há 52 anos. E qual será a sua peça preferida? “Olhe, todas são meus xodós, acredita? Mas eu vou lhe dizer, minha paixão é a bainha aberta. A bainha aberta é uma coisa muito minuciosa, preciosa, que não sei nem explicar”.

Nos tempos de moça, produzia nos poucos horários vagos, ao longo da semana. Aos domingos, colocava a sacola debaixo do braço para vender sua arte na feira. Hoje, com a vista cansada, não consegue costurar à noite. Então, levanta às 4:30 da manhã e começa a confecção. Periodicamente, cruza a Baía de Todos do Santos para paraticipar do Grupo de Amigos Idosos da Ilha - GRAII,  onde é referência para mais 50 senhoras para quem dá aulas, ensinando o ofício do artesanato. 

A partir de 2012, passou a ser atendida pelo Cesol e comercializar seus produtos nos espaços solidários. Primeiro no bairro do Comércio, depois Barra e agora em shoppings centers de Salvador. Atualmente, a venda do artesanato chega a representar 50% do seu curto orçamento mensal.

Quando tratamos desse período de quarentena, ela fala com tristeza da queda nas vendas: “Antes eu comprava minhas coisinhas, agora dependo de outras pessoas”. Mas, logo em seguida lembra: “Oh, minha filha, eu tive dois enfartos, um em 2018 e outro em 2020, na virada do ano. Então eu estou satisfeita, sou grata pela minha vida e sei que isso tudo vai passar!”.

#CreuzinhaSendoCreuzinha